Inspire-se · Vestido de Noiva

O vestido de noiva ideal – Parte 6 Rendas

Ainda falando sobre os tipos de tecidos para vestido de noiva, decidi fazer um post somente para falar de rendas.
Porque?
Primeiro, porque eu adoro!!! Uso no dia a dia, em roupas e acessorios. Uma blusinha branca com uma rendinha nas mangas ou costas + uma calça jeans, tem o poder de deixar um look super básico com cara de romantico.
E segundo, porque o vestido escolhido por mim para o meu dia C tem renda e é lindooo (risos).

Independente do estilo da noiva, as rendas costumam fazer muito sucesso e acabaram se tornando as preferidas das noivas.

A renda é um tecido com padrão de orifícios e desenhos feitos à mão ou à máquina. Os tipos mais comuns são a renda de bilros e a renda de agulha. A renda de bilros é criada pela manipulação de numerosos fios, cada um deles presos a um bilro, sendo em geral trabalhada sobre uma almofada.
A de agulha é confeccionada dando-se laçadas com o fio (estando uma extremidade presa a uma agulha e outra presa a uma base) em pontos simples ou complexos, o que resulta num padrão ou desenho preestabelecido. Acredita-se que renda de bilros seja originária de Flandres (região belga) e a de agulha, da Itália.

Nos séculos XVIII e XIX, os centros de produção de rendas de bilros eram Chantilly e Valencienses, cada um com desenhos próprios. Alençon, Argentan e Veneza são centros associados à renda de agulha.

Algumas curiosidades sobre a renda:

Catarina de Médici foi quem introduziu o uso da renda na corte francesa. Logo virou moda e isso causou um consumo exagerado e desenfreado, o que fez com que os cofres franceses fossem praticamente esvaziados devido aos custos de importação. Foi promulgado um decreto pelo rei da França, que proibia o uso da renda, tamanho foi o caos.
No Brasil a renda de bilros foi trazida pelos portugueses e durante muito tempo foi a ocupação de freiras nos conventos. Elas teciam alfaias para os altares das igrejas. Tanto no Brasil como em Portugal, atualmente a renda de bilro é feita por mulheres de pescadores em geral. Esse fator é associado à chegada das rendas pelos litorais.

Existe um dia para comemorar o Dia da Rendeira no Brasil, e foi criado em 2009. Foi escolhido o dia 04 de maio: o mês de maio por ser o mês das mães que ensinam essa arte para suas filhas e o dia 04 é em homenagem aos quatro operações basicas para se fechar o ponto.
Dizem que em Florianópolis decidiu-se criar um outro dia para comemorar o dia da rendeira e escolheram o dia 21 de outubro, não sei porque.

Agora, vamos aos tipos de rendas:

Renda Battenberg ou Renaissance (Inglaterra)

Battenberg

Uma renda mais grossa feita de fios de linha ou fita, em padrões, e então usando conexões feitas de fios para segurar os padrões juntos.
A renda Battenberg foi criada no final do século XIX. Cada duque inglês tinha seu próprio padrão de renda (mais ou menos como o padrão de quadriculado das flanelas na Escócia). Esse tipo novo de renda foi inventado quando a Rainha Victoria deu ao seu genro o título de Duque de Battenberg.

Renda Soutache (França)

Uma moderna variação da renda Battenberg, é formada por costurar uma faixa em um padrão ou um fundo de renda fina. É uma renda com alto relevo e o desenho é retrabalhado no soutache, um tipo de fio ou cordão.
Esse tipo de renda é recomendado para vestidos mais estruturados em acabamentos e em decotes mais profundos e para saias com mais volume. É uma opção ideal para ser usada sobre um tecido encorpado como o zibeline, por exemplo. Outra ideia é ser recortada e reaplicada no vestido.

Renda Chantilly (França)

Chantilly

Veio da França na região de Chantilly, e é um misto de viscose e poliamida, o que a deixa com um caimento incrível e um toque aveludado. É um bordado em cima de um tule bem fininho e geralmente tem um pouco de elasticidade. Super delicada e leve, é a mais pedida, a mais romântica e a mais macia também. Ótimo pra noivas esvoaçantes e pra deixar ombros e costas de fora!
É uma das rendas mais caras e pode chegar a valores astronômicos.

Renda Richelieu (França)

É uma reda mais dura em linho ou algodão, e por isso costuma ser usada apenas para fazer apliques ou bordados aplicados. Primeiro, as bordadeiras traçam o desenho num papel. Depois, o desenho é passado para o tecido e é bordado por uma máquina. No final, é feito um trabalho manual. As bordadeiras cortam o restante do tecido com uma tesoura, contornando o desenho feito pela máquina, para deixar o vazado.
Essa renda pode ser utilizada em qualquer modelo de vestido, mas é mais indicada para casamentos na praia por conta do acabamento rústico que essa renda confere.

Renda Alençon (França)

Tem esse nome por causa do seu local de origem. As características dela são os desenhos florais, feitos com 2 tipos de fio, um bem fininho pra fazer as partes mais delicadas e um mais encorpado pra dar sustentação, reforçar o padrão e adicionar mais definição, e tudo isso é feito sobre uma tela fina de fundo.
O ponto forte dela são os bicos, faz um ótimo acabamento e tem um recorte lindo.
É geralmente embelezado com contas (miçangas) ou paetês.

Renda Lyon (França)

É uma versão menos encorpada do que a Aleçon, a diferença é a maneira que ela é feita.
Sobre a tela, a renda geralmente é traçada com um fio fino de seda ou algodão, dando uma aparência mais delicada. Essa renda tem um desenho intricado e ornamental, delicadamente com ponto numa rede de fundo.
Ela tem um relevo um pouco mais alto, mas não deixa de ser super leve.

Renda Guipure (França)

É uma renda mais pesada e tem um estilo mais grosso, com um fundo aberto feito de uma série de guipures.
É feito com pontos pesados e formada por arabescos em ponto túnel, feita sob um papel super fininho que depois é dissolvido ficando assim só a renda. Os desenhos são unidos por finas correntes de fios que misturam viscose, algodão ou linho.
Pode ser artesanal ou industrial e possui desenhos mais específicos e bem marcados que geralmente são rosas, margaridas ou formas ovais.
É bem tradicional e elegante. Pode ser usada para cobrir um corpete. O caimento dela também é mais pesado e ideal para vestidos bem estruturados. É possível aproveitar o desenho bem marcado deste tipo de renda para recortar e fazer aplicações no vestido, no acabamento da saia e véu da noiva.

Renda Point d’Esprit (Suíça)

Também conhecida como Ponto suíço.
Feita pela primeira vez na Suíça em 1750, esta renda é a famosa tela de pontinhos ou petit pois. Feita de formas ovais, pontos ou quadrados espaçados uniformemente em um tema ou tecido fino leve, como chiffon ou rede fina.
Os pontos podem ser tecidos, juntados ou bordados no tecido. É geralmente uma camada por cima de outro tecido mais grosso. Fica uma graça em véus ou no vestido todo.

Renda Schiffli (Inglaterra)

É uma renda leve feita à máquina, que evoluiu de uma versão à mão e tem um padrão bordado decorativo intricado, entrelaçado, por toda a superfície da rede inglesa ou tule.
Isto dá a renda um aspecto leve, aéreo.

Renda Eyelet (Inglaterra)

Geralmente feita de algodão e distinta por buracos, ou ilhós, que são cortados no tecido para criar um padrão.
Os buracos têm acabamento nas pontas com contas e o tecido é borbado com padrões delicados de flores. Esta renda é usada em vestidos mais informais.

Renda Duquesa (Belga)

Duquesa

Uma Renda Belga, foi nomeada pela Maria Henriquieta.
Tem desenho floral e um fundo bem espaçado, ela não tem uma continuidade na peça pq o desenho é aplicado sobre a tela fina.
Essa renda vem na bobina ou em tela pode-se recortar peça por peça ou usar no comprimento da bobina.

Renda Espanhola (Espanha)

Renda em formato de bobina contínua.
O que mais chama a atenção nela é a delicadeza e a leveza, na maioria das vezes é caracterizada por um padrão de rosas lisas em uma rede de fundo ou só com os bicos.
É geralmente usada em véus do tipo matilha.

Renda Veneziana (Italia)

É uma renda de agulha originada em Veneza.
De padrão solto e aberto, geralmente ela já vem no formato de um decote de uma costa ou pronta pra aplicar nas mangas.
Não é prendida em rede ou qualquer outro tipo de fundo, e as partes são conectadas por fios ou pontes.
É feita em padrões grandes, com flores ou desenhos geométricos. Geralmente cortada em apliques (peças de renda que são costuradas em outros tecidos) ou usado como enfeite.
Perfeita pra adornos punhos e golinhas.

Renda Tramóia ou Puxada (Brasil)

A Tramóia é uma renda de bilro exclusiva da Ilha de Santa Catarina, antigamente era conhecida como puxada.
Tecida com sete pares de bilros e normalmente com dois tipos de linha, uma fina e outra grossa.
A linha fina transpassa de um lado e de outro, entremeando a linha grossa, que fica no meio para compor o desenho. Os desenhos da tramóia têm nomes pitorescos: trevo, quatro patas, coração, corrupio, caracol, mãos, estrela, zig zag, tesoura, bochecha e outros.

Ufa! Esse post “rendeu”! =D

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12 comentários em “O vestido de noiva ideal – Parte 6 Rendas

  1. Muito interessante! Estava pesquisando sobre richelieu,pois voltamos do NE com algumas toalhas e blusinhas de renda e seu post chamou a atenção. Parabéns!
    Do Brasil, temos tb a renda filé, das Alagoas, Maceió. Acho que poderia ficar legal num veatido de noiva tb, mas teria q ser bem planejado pois esta renda é feita em tear. Vc conhece?

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    1. Oi Adri! Hoje eu conheço, na época que escrevi o post não conhecia! rsrs
      Rendas brasileiras são ríquissimas! Rende até um post novo só sobre isso!
      Acredito que um vestido em renda filé ficaria maravilhoso, principalmente pra um casamento na praia! Ja pensou!?

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É muito legal receber os comentários de vocês! Continuem visitando =D

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